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segunda-feira, 22 de julho de 2013

Iteração


Sempre me encontrava nas mesmas situações, embora o tempo nos afastasse durante meses. Naqueles finais de festa ou na madrugada em um bar, com a maquiagem se desfazendo e com um copo na mão. Eu sabia que viria, que não aguentaria. Quando tudo parecia não ter mais chance de dar certo, estávamos lá um para o outro. Estávamos prontos para dar conforto, sem explicações, sem cobranças, para todos os amores que deram errado, para tudo que poderia ser e não foi. Eu dizia que era você quem procurava, que nunca o provocava, mas no fundo sei que o fazia. Intencionalmente, como quem senta para escrever uma poesia, mas depois diz que foi por acaso. Você me dizia o quanto eu era tola e que aquele ar de mistério aguçava a curiosidade de muita gente. Comentário que eu desconsiderava, pois para me agradar, você mente.
Todas aqueles momentos, mesmo sendo previsíveis, eram sempre desejáveis. O jeito que me abraçava, as palavras que sussurrava e como me fazia sentir. Dizia que eu te deixava mais sensível, como nenhuma outra fazia. Eu também gostava de como com você me sentia. Das suas mãos em minha nuca e até da irritante mania de me carregar no colo, como se eu fosse sua menina.
E a história se repetia. Você diria que a culpa era minha, que no final da noite fugia. Embora você não compreendesse, era aí que estava a graça, pois aqueles poucos momentos nos livravam da desgraça do futuro.

PS: "What will you do when you get lonely and nobody´s waiting by your side? You've been running and hiding much too long. You know it's just your foolish pride" ("Layla", Eric Clapton).

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