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quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Ditadura da beleza

Obra de  Jacques Ruela
Como sempre falo, não precisa desvalorizar uma coisa para valorizar outra...  
Agora todo mundo acha super legal ser cheia de curvas, ter uma coxa com 60 cm de diâmetro e tudo mais. Tudo bem, é bonito. Também é bonito. Só que não precisa ficar dizendo que ser magra é a coisa mais sem graça do mundo, que acha ridículo uma barriga chapada e blábláblá... 
Eu adoro a minha barriga chapada, não porque eu faça algum esforço para mantê-la, não porque a Gisele lançou moda, mas porque ela é minha, porque é da minha natureza ser magra (que culpa eu tenho?). E vou gostar do mesmo jeito se um dia ela for saliente ou se for redonda que nem uma melância se um dia eu ficar grávida. Não é a matéria que nos define como ser. 
Que cada um seja do jeito que lhe for conveniente, desde que não prejudique sua saúde - essa deveria ser a preocupação. Nem vou falar muito de amor-próprio, dessa vez. Só acho que não faz o menor sentido envergar a ditadura da beleza para o outro lado e ter um monte de meninas comendo feito loucas a procura de curvas. Com 20 e poucos ou mais, geralmente, estamos bem resolvidas em relação à isso (ou deveríamos).
Não vamos colocar na cabeça das adolescentes de agora essa história novamente, que já martirizaram adolescentes das décadas passadas, transformando muitas meninas lindas em bulímicas e anoréxicas. Agora parece que está acontecendo a mesma coisa, só que ao contrário. 
Dois padrões, só dois, diante de uma infinidade de corpos e de formas que existem (e sempre existiram) por aí. O exagero, o radicalismo pode tornar-se prejudicial em ambos os casos. Nem cópias das passarelas e nem mulheres frutas, nada que não tenha sentido ou significado. Ou pior, em pleno século XXI, teremos agora a mulher sanfona, aquela que engorda e emagrece para agradar aos outros. Que regresso! 

Bem ou mal, os homens estão menos susceptíveis a isso, ninguém enche muito a paciência deles com essa história. Eles não se cobram tanto, não ficam o tempo todo fazendo comparações se o cara mais atraente é o magro ou o mais pesado. Aliás, alguns "sarados" sim e certas mulheres também vem com aquela bobagem de querer ter um "tanquinho" em casa, absurdo também! Se o cara não tem aqueles gomos na barriga (sinceramente, não vejo graça, como também não aprecio um monte de músculos), perdeu playboy... É isso? E o homem que fica atazanando as ideias de sua companheira, que exige que ela seja magrinha ou gordinha é um babaca. 

Aliás, independente de gêneros agora: Queremos que nos aceitem pelo que somos mas exigimos um padrão de beleza dos outros? Queremos que uma mente genial em um corpo de deus grego? É sempre de bom tom pararmos e pensarmos com (um pouco que seja) de alteridade.
Bem sabemos que ninguém se apaixona pelo outro por causa do corpo, algumas características podem atrair ou não, mas isso não é suficiente. Quantas vezes nos surpreendemos com aquela pessoa que não faz nosso "tipo"? Pode não fazer seu "tipo" e mesmo assim tornar-se o amor da sua vida.Isso atrai, é transformador. Aliás, o amor é libertador também nesse sentido, de romper com nossos padrões e preconceitos... 

Penso, simplesmente, que a ditadura da beleza já deveria ter sido colocada abaixo há muito tempo, assim como uma série de padrões estéticos. Isso sim é fora de moda! Afinal, o corpo é apenas matéria que se degenera um pouco a cada dia.

Já dizia o tal principezinho "O essencial é invísivel ao olhos".