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sexta-feira, 13 de julho de 2012

De olhos fechados



A verdade é uma só: não sei o que eu quero. Não sei, não sei de nada, nunca soube. 
Não sei e já não quero nem saber. Desconfio que, se um dia descobrir, viver perderá a graça.
Sigo em frente, pé ante pé, me equilibrando na corda bamba da vida.
Em alguns momentos, atenta a todos os detalhes. Em outros, de olhos bem fechados, porque sentir é mais importante do que compreender.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Soy loco por ti, América... loco por ti, Corinthians!

   Com todo respeito aos outros times, mas vou saborear a nossa vitória!

Já conquistamos muitos títulos, alguns mais sofridos, mais emocionantes, com mais cara de Corinthians, mas, sem dúvida, esse foi o que estava engasgado.
Aguentando piada, levando tudo na esportiva, vivendo um pouco do que meus pais e avós viveram no jejum de quase 23 anos.
A vida é assim, todo mundo deseja o que ainda não tem. Comigo não é diferente.
Lembro-me do jogo contra o Palmeiras, em 1999, fiquei bem triste. A derrota para o River em 2003, decepção. Lembro-me de 2006, ouvindo o jogo no fretado, na volta da Unicamp, o ônibus levando pedrada. Em 2010, melhor campanha na primeira fase e perdeu para o Flamengo, classificado na “bacia das almas”. Eu chorei de raiva, por achar uma grande injustiça do destino. Por achar que nosso dia nunca chegaria. Em 2011, na pré, perdendo para o Tolima, uns alunos tirando sarro da minha cara, outros tristes comigo.
Anos e anos, fazendo o mesmo pedido na hora de apagar as velinhas do bolo de aniversário! Madre de Dios, quando isso acabaria?

Acabou! Acabou aqui, dia 04 de julho de 2012. Acabou invicto! Um time que fez história. Dia da redenção, dia do Sheik. Dia de compreender que tudo tem sua hora e que, às vezes, a espera faz a conquista ter um sabor muito mais especial. É Corinthians, sou eu! Jamais poderia ser fácil...

Para ganhar tem que estar lá, ano a ano, disputando. O Corinthians aprendeu a jogar e eu aprendi a torcer na Libertadores. Por incrível que pareça, o que eu mais falei aqui em casa nesse semestre foi “Calma, gente!”. Aprendi a segurar o coração, a acreditar mais ainda! Contra o Vasco, Diego Souza... “Vai, Cássio!”. Contra o Santos, era difícil, mas passamos. O Boca? A final dos sonhos! Joga muito bem fora. Até agora estou perguntando “Fora de onde?”. Ah, depois que estávamos na final, tudo ou nada, coração na garganta! Até a explosão do grito de “Campeão!”.

Muitos dirão “Futebol, falta de cultura! Não muda sua vida!”. Falta de cultura? Podem até não gostar, mas não dá mais para sustentar esse discurso. Faz parte da cultura do planeta inteiro e mais ainda do Brasil. Claro que temos que ser críticos também, salários exorbitantes, brigas de torcida... Sim, tem muita coisa errada, como em tudo. Hipocrisia falar mal de futebol, mas ficar planejando sair mais cedo do trabalho quando tem Copa do Mundo. Hipocrisia achar que futebol é divertido só quando o seu time ganha. Futebol não muda minha vida, mas me faz feliz, me faz brincar, festejar, mexe comigo. Na hora de falar sério, falo, estudo, luto pelas coisas em que acredito, ralo pra caramba, mas eu também preciso extravasar. Na boa, sem ofender, sem desrespeitar e aceito qualquer tipo brincadeira que também seja assim, dou risada junto. Quantas vezes vi notícias de gente que morreu com mais de 80 anos e brinquei “Putz, mais um que não viu o Corinthians ganhar a Libertadores!”.

O Corinthians me remete a família, a união, a superação. Aqui, somos descendentes de italianos, espanhóis, portugueses e negros. O que temos em comum? A paixão, a raça, a garra, o Corinthians. Corinthiano não torce, se identifica, vive aquilo. Seja sofrimento, seja alegria. É tudo muito intenso.
Corinthiano, maloqueiro, sofredor, graças a Deus? Sim! Graças a Deus. Com o pé na favela, na senzala, no porão do navio, na uva que faz o vinho, na roça, onde tiver alegria, onde tiver esperança. Com os dois pés onde tiver Corinthians e, hoje, mais do que nunca, com as mãos na taça!