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segunda-feira, 30 de abril de 2012

In my life... (Desafio 1)

E até a miopia tem uma certa beleza,
é como ver o mundo em pinceladas impressionistas.


Até os seis anos de idade eu via o mundo de uma maneira bem embaçada, precisava ver tudo bem de perto para conseguir enxergar de verdade. Um dia, um senhor de cabelos grisalhos que atendia pelo palavrão “oftalmologista”, disse que eu teria que usar óculos. Então eu chorei, chorei de soluçar, porque, afinal, ninguém quer ser diferente dos outros aos seis anos de idade. 
Porém, quando experimentei os óculos e percebi que poderia enxergar muito além do que eu via, senti uma emoção bem parecida com a do Miguilim, de Guimarães Rosa. O mundo era uma grande surpresa a ser descoberta (e ainda é), cheio de lugares e pessoas diferentes, mas que também tinha muitas coisas que eu não achava legal, como fome, desigualdade social, desmatamento e por aí vai.  Coisas que na escola passaram a ser expressas em desenhos e redações.
A chegada dos óculos coincidiu com o segundo ano da pré-escola. Ao mesmo tempo em que passei a enxergar o mundo, também passei a enxergar outras pessoas além dos meus pais e familiares. Alegres, chatas, inteligentes, bravas, etc... Praticamente, cada pessoa tinha um adjetivo, um “rótulo” e a partir disso eu tinha uma ideia de quem eu poderia me aproximar mais ou menos. Via as pessoas de uma maneira superficial, não tinha ideia da complexidade do que é um ser humano, não entendia porque elas tinham comportamentos tão diferentes entre si. 
Apesar dos óculos serem um grande benefício, durante muitos anos eu me sentia bem feia com eles. Bem sabemos que as pessoas tem o (mau) hábito de olhar primeiro para a embalagem e depois para o conteúdo. Se eu não era tão bonita assim, pelo menos os óculos me ajudavam a parecer estudiosa – e tem gente que acredita nisso até hoje, mesmo sem os óculos. Na verdade, eu era bem tímida, observadora e uma criança que falava pouco, exceto com quando as pessoas conquistavam a minha amizade. Ao mesmo tempo criativa, curiosa, alegre. 

Ao longo desses anos, muitas pessoas me influenciaram positivamente. Acho as principais influências vieram dos meus pais e, posteriormente, meu irmão – que ganhei de presente aos sete anos (mas esse já é assunto para outra história). As outras influências foram alguns professores, amigos, livros, músicas, filmes (são muitas referências para citar). Particularmente, as amizades que surgiram a partir do Ensino Médio, em que os amigos deixaram de ser “aquela pessoa que passa o ano letivo sentada na carteira do lado” e tornaram-se pessoas com quem compartilho afinidades, ideais e que senti necessidade de mantê-las na minha vida, independente do caminho que eu escolhesse futuramente.
Existem outras coisas que eu chamaria de anti-influências, aquelas que você não gostaria que te influenciassem, mas, às vezes, acabam influenciando. Estar ao lado de uma pessoa que reclama o tempo todo, muitas vezes te faz agir da mesma maneira. Destaco alguns exemplos, sobretudo relacionado a ambientes de trabalho, de pessoas preconceituosas, intolerantes, egoístas, dentre outros. São algumas influências que contribuíram para que eu construísse uma imagem do que eu não gostaria de ser e procurasse me policiar o tempo todo para não reproduzi-las.
           
Após esses vinte e sete anos (agora também com lentes de contato!), o mundo continua sendo uma grande surpresa a ser descoberta, mas hoje também o vejo como algo criado por nós mesmos, afinal, somos autores da nossa própria realidade.
Vejo as pessoas de uma maneira mais profunda, tentando compreendê-las de acordo com o contexto em que estão inseridas e tentando me colocar no lugar delas, no sentido de como eu me sentiria na situação do outro. Todos tem suas qualidades e suas limitações, suas razões e seus porquês. Acredito muito nas pessoas, não no sentido ingênuo, mas no sentido de "dar crédito" até que me provem o contrário.
Sou feita de vivências, lugares e lembranças. Uma pessoa forte, batalhadora, persistente (em certa medida, até teimosa), mas, ao mesmo tempo, sensível. Tento viver plenamente, levar alegria para as pessoas que convivem comigo, ouvir suas histórias e aprender sempre. Não tenho certeza de nada, mas sigo em frente e construo meu próprio caminho, um passo de cada vez.

PS: ♪ There are places I remember all my life,though some have changed... ♫ (The Beatles).

domingo, 22 de abril de 2012

Coisas da Carmen

Algumas delicadezas para alegrar a vida.

Na porta...
Para fazer arte...
Na cabeceira da cama - especial.
E vejo flores em você!

Para organizar a bagunça.
Bons momentos e presentes!

terça-feira, 17 de abril de 2012

Amor de Verdade


Não é nenhuma novidade meu caso de amor com os Beatles e, vira e mexe, encontro coisas legais, compro livros, filmes e afins. 
Outra coisa que eu adoro são livros infantis, cheios de cor, de histórias engraçadas, de vida. 

Minhas últimas aquisições reunem esses encantamentos. São dois livros apaixonantes, lindos, que compre na Estante Virtual e o Mr.Postaman entregou aqui na semana passada: "Amor de verdade" do John e "Lá no alto das nuvens", escrito por Paul McCartney, Geoff Dunbar e Philip Ardagh, traduzido pela Ruth Rocha.
Hoje, vou falar sobre o livro do John, que traz uma série de desenhos feitos por ele e seu filho Sean. Já começou a me cativar aí, porque desenhar também é outra coisa que gosto muito, embora esteja cada vez mais difícil de me dedicar a esse prazer. 

O livro traz desenhos simples, com legendas engraçadas e uma sensibilidade incrível. Em alguns momentos, dá para imaginar como poderiam ter surgido essas criações. 
Como destaca Yoko no prefácio "foi assim que Sean aprendeu a alegria de desenhar, a graça de fazer as coisas junto com o pai e a beleza da vida".
Um excelente presente para estimular a criatividade das crianças e (por que não?) dos pais. Vale a pena conferir mais um dos lados artísticos dessa personalidade fascinante que foi o John. 

"cão - ve - flor" - que tal o jogo com as palavras??
"cachorro grande mete medo, mas nem sempre!"
Também tive a sorte de ter um pai que desenhava comigo e eu adorava quando ele fazia castelos. A minha mãe não era muito boa nisso, mas foi com ela que aprendi a desenhar minha família e também um pássaro que parecia um pouco com um avião, até hoje lembro exatamente como era. 
O desenho a seguir é meu. Feito em um guardanapo de papel, após um almoço de domingo no extinto restaurante "A Paulicéa", aqui em Jundiaí, em 1993. Aos sete anos, provavelmente, usando um laço enorme no cabelo, um conjunto de camiseta e bermudinha combinando e depois de ter comido parmegiana com fritas... rs! E os meus pais o guardaram, carinhosamente, por quase vinte anos...

"Zoológico", Carmen (1993).
PS: "Close your eyes/ Have no fear/ The monster's gone/ He's on the run and your daddy's here..." (Beautiful boy, Lennon).

sábado, 7 de abril de 2012

Mergulho


Se não for para mergulhar na vida de alguém, não me aproximo nem para molhar os pés.

PS: "Vou mergulhar no mar mesmo com a praia escura, vou gozar a liberdade de uma vida sem frescura" (Kid Abelha)