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segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Presentes

Esse ano estava preocupada. Muito preocupada com essa história de Natal.
Onde iria guardar tantos presentes? Em pacotes e caixas já não cabem mais. No guarda-roupas não cabem. Embaixo da cama também não. Não cabem na cozinha, no quintal e em nenhum outro lugar. Algum deles sequer eu consigo pegar. Outros eu consigo abraçar, beijar e apertar bem forte!
Bons momentos, bons amigos e uma infinidade de emoções que me proporcionaram durante todo o ano. Alguns que me aguentaram reclamando, outros que riram das minhas palhaçadas, outros que se comprometeram com causas que defendi, amigos que choraram comigo, que riram mais ainda, que beberam, dançaram, me ajudaram e tantas outras coisas. Amigos que, de uma forma ou outra, fizeram-se presentes. Tornaram-se grandes presentes.
Então, como não posso guardá-los aqui em casa, decidi que lhes entregaria tudo aquilo que recebi e que também não cabe em caixas. Estou deixando que todo amor, carinho, amizade, paz, alegria e tudo de bom que vivemos esse ano saiam pela janela e cheguem a todos vocês. Amizade é coisa boa, é coisa que não se esconde, é sentimento que você deixa solto por aí e, mais cedo ou mais tarde, compartilha com mais um, mais um e mais um. É olhar ao redor e saber que você não está sozinho, é ser para o outro tão importante quanto ele é para você. Amizade é aquilo que quanto mais você doa, mais você ganha. Por isso, espero que nunca consiga guardá-los em nenhum outro lugar que não seja o coração.
Queridos amigos, ou melhor, queridos presentes: Feliz Natal!

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

"Superare" - 4º Lugar na Olimpíada de Redação de Jundiaí


Uma das coisas mais prazerosas dessa vida é poder contribuir, de uma forma ou de outra, com a cultura da minha cidade. Poder dividir um pouco do que raramente escrevo com as outras pessoas, poder tocá-las de alguma maneira e conseguir compartilhar algumas das minhas reflexões sobre o mundo. 
Há, aproximadamente, três anos eu começava a me aventurar pela escrita e, para minha grande surpresa, meu primeiro texto enviado a um concurso tinha sido publicado em Belo Horizonte. Continuo me aventurando, meio que na malandragem, sem a menor disciplina e, tenho a enorme felicidade de poder participar de uma quarta publicação, a terceira na categoria "contos" e também a terceira na minha Terra Querida, Jundiaí. 
Segue o texto que me rendeu o 4º Lugar na Olímpiada de Redação de Jundiaí nesse ano, espero que apreciem! 
   



Superare

“O ouro da superação” - essa foi a manchete no noticiário do rádio. Superação. A palavra ecoou em meus pensamentos. Ganhar uma medalha olímpica parece um feito heróico por si só, coisa dos deuses do Olimpo, mas quando ela representa a superação, parece ainda mais radiante. Super. Super ação.
Quando criança, sempre imaginei essa palavra como uma ação extraordinária, algo como o Capitão América, mas, francamente, orgulho-me por ter me libertado dessa ilusão. Não pretendo prolongar-me nas questões ideológicas, mas de América ele não tem nada. Então, pra mim, a materialização da superação era o Che. Asmático, que abandonou a melancólica Buenos Aires, deixou Chichina e saiu pelo mundo, lutando por liberdade, revolucionário. No entanto, há quem diga que até mesmo o meu “super Che” foi superado. Desconfio.
Posteriormente, na escola, a sentença da professora: “Você terá que superar-se!”. Era isso que eu deveria ter feito naquela prova de matemática, na primavera de 1968. Não fiz, a superação continuou sendo uma utopia e tive que cursar a quinta série pela segunda vez. Depois, veio a primeira desilusão amorosa. Marina me abandonou e tive que superar minha dor. Superei, esqueci? Que nada. Ainda vago durante as noites tentando encontrar seu rosto, já envelhecido pelo passar dos anos.  E por aí foi.
Houve um tempo em que me desiludi de vez com essa palavra. Conjunto de letras na página oitocentos e vinte e três do dicionário. Superar. Do latim, superare. Que também deu origem ao superamento italiano, a superación espanhola e ao surmonter francês. Palavra que carrega todo esforço do ser humano em ultrapassar barreiras, sobrepujar, vencer. Eu já havia desistido disso tudo, considerava que meu maior feito tinha sido levantar cedo nas manhãs chuvosas de segunda-feira. Superação infame a minha, cômoda. Quase me envergonho por ter pensado assim, mas vivemos achando que algumas coisas continuarão distantes de nós, que nunca seremos capazes de realizá-las. A superação seria, para sempre, a medalha de ouro na manchete do noticiário, o inatingível, se a vida, travessa que é, não tivesse me esfregado na cara aquilo que eu não conseguia enxergar.
Enxergar. Engraçado isso. As luzes se apagaram diante dos meus olhos e a superação, como a medalha reluzente, despertou em minha vida. Foi árduo, a princípio, revoltante. Não pude mais enxergar o mundo da forma que eu conhecia. Onde estavam as cores? Desesperado, eu pensava em como seria minha vida dali em diante, mas, aos poucos, as coisas cotidianas transformaram-se em pequenas vitórias. Fazer as tarefas de casa, trabalhar, sair sozinho, ir ao mercado, ter um cão-guia, ler com as mãos. Cada dia tornou-se um desafio, uma descoberta, algo a ser conquistado. Superação: a força adormecida no interior de cada pessoa, esperando o momento exato para despertar, coragem de quem se reinventa, persiste, tenta de novo e de novo. Superar a realidade, os preconceitos, viver apesar de. Ou seria viver, justamente, para? Talvez.
Hoje não vejo mais as imagens coloridas que a luz projetava em minhas retinas, mas aprendi a enxergar de muitas outras maneiras. Há quem duvide, mas eu vejo tudo! E ainda mais: aprendi a ver através dos ouvidos, do olfato, do toque e, sobretudo, do coração.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Angústia

 Do latim angustia, “aperto, constricção”, de anguere, “apertar, sufocar”.

Como pode alguém sentir
um amor tão grande, incondicional,
que transborda da alma
e atropela os limites da razão?
Angustia-me o fato
de doar-me além do que deveria
e, ainda assim, menos do que gostaria.
Incomoda-me a ideia de que, talvez,
esse amor nunca seja o suficiente para você
mas, demasiado grande para mim.
Sufoca-me a incerteza,
por te amar demais e, a mim, tão pouco.
Perturba-me um amor que para você,
talvez, não seja nada.

PS: "Although I laugh and I act like a clown,/ Beneath this mask I am wearing a frown,/ My tears are falling like rain from the sky,/ Is it for her or myself that I cry..." (The Beatles).

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Ditadura da beleza

Obra de  Jacques Ruela
Como sempre falo, não precisa desvalorizar uma coisa para valorizar outra...  
Agora todo mundo acha super legal ser cheia de curvas, ter uma coxa com 60 cm de diâmetro e tudo mais. Tudo bem, é bonito. Também é bonito. Só que não precisa ficar dizendo que ser magra é a coisa mais sem graça do mundo, que acha ridículo uma barriga chapada e blábláblá... 
Eu adoro a minha barriga chapada, não porque eu faça algum esforço para mantê-la, não porque a Gisele lançou moda, mas porque ela é minha, porque é da minha natureza ser magra (que culpa eu tenho?). E vou gostar do mesmo jeito se um dia ela for saliente ou se for redonda que nem uma melância se um dia eu ficar grávida. Não é a matéria que nos define como ser. 
Que cada um seja do jeito que lhe for conveniente, desde que não prejudique sua saúde - essa deveria ser a preocupação. Nem vou falar muito de amor-próprio, dessa vez. Só acho que não faz o menor sentido envergar a ditadura da beleza para o outro lado e ter um monte de meninas comendo feito loucas a procura de curvas. Com 20 e poucos ou mais, geralmente, estamos bem resolvidas em relação à isso (ou deveríamos).
Não vamos colocar na cabeça das adolescentes de agora essa história novamente, que já martirizaram adolescentes das décadas passadas, transformando muitas meninas lindas em bulímicas e anoréxicas. Agora parece que está acontecendo a mesma coisa, só que ao contrário. 
Dois padrões, só dois, diante de uma infinidade de corpos e de formas que existem (e sempre existiram) por aí. O exagero, o radicalismo pode tornar-se prejudicial em ambos os casos. Nem cópias das passarelas e nem mulheres frutas, nada que não tenha sentido ou significado. Ou pior, em pleno século XXI, teremos agora a mulher sanfona, aquela que engorda e emagrece para agradar aos outros. Que regresso! 

Bem ou mal, os homens estão menos susceptíveis a isso, ninguém enche muito a paciência deles com essa história. Eles não se cobram tanto, não ficam o tempo todo fazendo comparações se o cara mais atraente é o magro ou o mais pesado. Aliás, alguns "sarados" sim e certas mulheres também vem com aquela bobagem de querer ter um "tanquinho" em casa, absurdo também! Se o cara não tem aqueles gomos na barriga (sinceramente, não vejo graça, como também não aprecio um monte de músculos), perdeu playboy... É isso? E o homem que fica atazanando as ideias de sua companheira, que exige que ela seja magrinha ou gordinha é um babaca. 

Aliás, independente de gêneros agora: Queremos que nos aceitem pelo que somos mas exigimos um padrão de beleza dos outros? Queremos que uma mente genial em um corpo de deus grego? É sempre de bom tom pararmos e pensarmos com (um pouco que seja) de alteridade.
Bem sabemos que ninguém se apaixona pelo outro por causa do corpo, algumas características podem atrair ou não, mas isso não é suficiente. Quantas vezes nos surpreendemos com aquela pessoa que não faz nosso "tipo"? Pode não fazer seu "tipo" e mesmo assim tornar-se o amor da sua vida.Isso atrai, é transformador. Aliás, o amor é libertador também nesse sentido, de romper com nossos padrões e preconceitos... 

Penso, simplesmente, que a ditadura da beleza já deveria ter sido colocada abaixo há muito tempo, assim como uma série de padrões estéticos. Isso sim é fora de moda! Afinal, o corpo é apenas matéria que se degenera um pouco a cada dia.

Já dizia o tal principezinho "O essencial é invísivel ao olhos".

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Único


"Antes de Elvis não existia nada" (John Lennon).

O garoto que mudou a história da música. Trinta e cinco anos sem Elvis, o único, para sempre...
 Que venha os Elvis In Concert e Elvis Experience!

Αγάπη, liebe, amore, amour...

... love, amor: o mesmo em todas as línguas.

Amar não é um cálculo matématico, não tem um objetivo. Ninguém ama somando as próprias ações com as ações do outro, subtraindo os aborrecimentos, dividindo por dois. 
Ama-se sem saber no que vai dar. É aí que está a mágica! 
Amor é estado de espírito, de graça e não estado civil. Não ama-se para mudar status de relacionamento de facebook, para comemorar o dia dos namorados, para ter um figurante ao seu lado, mas sentir-se sozinho quando encostar a cabeça no travesseiro.
Ama-se pelo prazer de amar, porque é gostoso, por todo o bem que o amor nos causa. Torna-se menos chato, mais bonito, menos egoísta, mais feliz. 
Amor é sentimento verdadeiro que não se deixa envenenar, embora tentem.
Amar é a maneira que temos de oferecer ao outro a beleza que há dentro de nós. É sentir, não compreender.

PS: "Have you heard the word is love? It's so fine, It's sunshine. It's the word, love" (The Beatles).

sexta-feira, 13 de julho de 2012

De olhos fechados



A verdade é uma só: não sei o que eu quero. Não sei, não sei de nada, nunca soube. 
Não sei e já não quero nem saber. Desconfio que, se um dia descobrir, viver perderá a graça.
Sigo em frente, pé ante pé, me equilibrando na corda bamba da vida.
Em alguns momentos, atenta a todos os detalhes. Em outros, de olhos bem fechados, porque sentir é mais importante do que compreender.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Soy loco por ti, América... loco por ti, Corinthians!

   Com todo respeito aos outros times, mas vou saborear a nossa vitória!

Já conquistamos muitos títulos, alguns mais sofridos, mais emocionantes, com mais cara de Corinthians, mas, sem dúvida, esse foi o que estava engasgado.
Aguentando piada, levando tudo na esportiva, vivendo um pouco do que meus pais e avós viveram no jejum de quase 23 anos.
A vida é assim, todo mundo deseja o que ainda não tem. Comigo não é diferente.
Lembro-me do jogo contra o Palmeiras, em 1999, fiquei bem triste. A derrota para o River em 2003, decepção. Lembro-me de 2006, ouvindo o jogo no fretado, na volta da Unicamp, o ônibus levando pedrada. Em 2010, melhor campanha na primeira fase e perdeu para o Flamengo, classificado na “bacia das almas”. Eu chorei de raiva, por achar uma grande injustiça do destino. Por achar que nosso dia nunca chegaria. Em 2011, na pré, perdendo para o Tolima, uns alunos tirando sarro da minha cara, outros tristes comigo.
Anos e anos, fazendo o mesmo pedido na hora de apagar as velinhas do bolo de aniversário! Madre de Dios, quando isso acabaria?

Acabou! Acabou aqui, dia 04 de julho de 2012. Acabou invicto! Um time que fez história. Dia da redenção, dia do Sheik. Dia de compreender que tudo tem sua hora e que, às vezes, a espera faz a conquista ter um sabor muito mais especial. É Corinthians, sou eu! Jamais poderia ser fácil...

Para ganhar tem que estar lá, ano a ano, disputando. O Corinthians aprendeu a jogar e eu aprendi a torcer na Libertadores. Por incrível que pareça, o que eu mais falei aqui em casa nesse semestre foi “Calma, gente!”. Aprendi a segurar o coração, a acreditar mais ainda! Contra o Vasco, Diego Souza... “Vai, Cássio!”. Contra o Santos, era difícil, mas passamos. O Boca? A final dos sonhos! Joga muito bem fora. Até agora estou perguntando “Fora de onde?”. Ah, depois que estávamos na final, tudo ou nada, coração na garganta! Até a explosão do grito de “Campeão!”.

Muitos dirão “Futebol, falta de cultura! Não muda sua vida!”. Falta de cultura? Podem até não gostar, mas não dá mais para sustentar esse discurso. Faz parte da cultura do planeta inteiro e mais ainda do Brasil. Claro que temos que ser críticos também, salários exorbitantes, brigas de torcida... Sim, tem muita coisa errada, como em tudo. Hipocrisia falar mal de futebol, mas ficar planejando sair mais cedo do trabalho quando tem Copa do Mundo. Hipocrisia achar que futebol é divertido só quando o seu time ganha. Futebol não muda minha vida, mas me faz feliz, me faz brincar, festejar, mexe comigo. Na hora de falar sério, falo, estudo, luto pelas coisas em que acredito, ralo pra caramba, mas eu também preciso extravasar. Na boa, sem ofender, sem desrespeitar e aceito qualquer tipo brincadeira que também seja assim, dou risada junto. Quantas vezes vi notícias de gente que morreu com mais de 80 anos e brinquei “Putz, mais um que não viu o Corinthians ganhar a Libertadores!”.

O Corinthians me remete a família, a união, a superação. Aqui, somos descendentes de italianos, espanhóis, portugueses e negros. O que temos em comum? A paixão, a raça, a garra, o Corinthians. Corinthiano não torce, se identifica, vive aquilo. Seja sofrimento, seja alegria. É tudo muito intenso.
Corinthiano, maloqueiro, sofredor, graças a Deus? Sim! Graças a Deus. Com o pé na favela, na senzala, no porão do navio, na uva que faz o vinho, na roça, onde tiver alegria, onde tiver esperança. Com os dois pés onde tiver Corinthians e, hoje, mais do que nunca, com as mãos na taça!

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Meu setentinha favorito

Ontem, hoje e sempre...
Paul McCartney completa hoje 70 anos com jeitinho de menino. Que possa continuar nos emocionando e divertindo por muitos anos... e que eu ainda tenha o prazer de vê-lo muitas outras vezes!
Obrigada por me proporcionar as segundas-feiras mais inesquecíveis da minha vida. Não existem palavras para descrever o que é um show desse cara... Fantástico!

Vida longa ao Macca!!!


PS: "When I get older,
        Losing my hair,
        Many years from now.
        Will you still be sending me a Valentine,
        Birthday greetings, bottle of wine?" (The Beatles)

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Caleidoscópio

 
Acho que todo mundo deveria ter crise de adolescência. Eu acho, mas não tive.
Sei lá, fazer alguma besteira, surtar, colocar a vida em xeque. Depois, fica muito difícil fazer isso. Fica difícil chutar o balde, espernear. 
Se você é adolescente tem uma desculpa, faz parte, é uma fase, são os hormônios. Tão simples! Se sua adolescência terminou há muito tempo? Ah, pedeu a oportunidade. Eu perdi.
Talvez a crise dos quinze anos tivesse evitado a "crise" dos vinte e poucos.  Uma "crise" que não é uma crise de verdade. Aos vinte (mais para os trinta), você se torna tão auto-crítico, tão intolerante consigo mesmo que nem se dá o direito de chamar isso de crise. 
Você, ser sensato, responsável, com contas pra pagar, tem que saber que rumo dar para sua vida. Afinal, que rumo? Não existe mais o tal de "O que você vai ser quando crescer?". Cresceu, agora é. Pode não saber o que, mas é. Um questionamento, uma cobrança sua consigo mesmo. Cruel, implacável. Um "E agora, José? E agora, você?". 

Fico me perguntando "Afinal, quem sou eu?". A pessoa que banca sua própria cerveja? Há sete anos atrás eu nem bebia e muito menos pagava, o salário não permitia. A Carmen que escreve contos? Essa aí também ficou pra trás (ou não)... A que desenha? Que escreveu o TCC nas madrugadas e atualmente quase morre para escrever três páginas da dissertação em uma semana? A que ia casar com vinte e cinco anos e hoje passa mal só de pensar se um dia tiver que colocar o status "relacionamento sério" no facebook? A menina que não ia sozinha nem na padaria e um dia pegou um avião pra Porto Alegre? A Carmen sorridente do retrato ou a que tem vontade de estraçalhar o celular quando ele desperta na manhã de segunda-feira? A que tem que mostrar o RG para entrar em uma festa ou a que lamenta os primeiros fios brancos? Sou mais sonhos ou desilusões? Quem é essa que escreve? 
A que não surtou na adolescência, isso é fato.
Uma pessoa que sempre achou e ainda acha que tem todo o tempo do mundo, mas contraditoriamente, quer fazer tudo aqui e agora. Aquela que já fez tantas coisas e ainda não fez nada! Francamente.
Devo ser um caleidoscópio, feita de fragmentos. Do tempo, do espaço, de sins e nãos. Fragmentos de mim mesma.

terça-feira, 22 de maio de 2012

Me dá um abraço, vai...

Existe um lugar, onde não importa a estação do ano, se chove ou faz sol, em que sempre me sinto bem e posso esquecer de tudo. Esse refúgio é um abraço, que me livra de toda maldade e me faz, por um breve instante, a pessoa mais feliz do mundo. #diadoabraço

PS: "Hold me tight, tell me I'm the only one..." (The Beatles).

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Multiplicando felicidades (Desafio 2)

Meus pais são grandes exemplos para mim. São parceiros e já enfrentaram muitas coisas juntos. Exemplos de caráter, honestidade, perseverança e por aí vai. Eles tiveram a preocupação de transmitir esses princípios intencionalmente mas, muitas vezes, a vida criou situações em que eles me ensinaram grandes coisas quase sem querer.
Uma dessas situações foi no ano de 1993. Até então, eu tinha sete anos e era filha única. Ser filha única é uma coisa muito chata, mas você só percebe isso, realmente, quando ganha um irmão. E eu ganhei o Marcus.

Marcus tinha oito anos, morava em Campo Limpo, era meu primo de segundo grau e tinha acabado de perder o pai. Ele e sua mãe biológica tinham se mudado para Osasco, para morar com uma tia e outros familiares. Alguns meses depois, sua "mãe" e essa "família" o enviaram para um orfanato.
A minha mãe (que era prima dele) ficou sabendo desse fato e contou a história para o meu pai. Eles foram até lá, conversaram com o Marcus, com os responsáveis, ficaram muito sensibilizados com a situação. Quando chegaram em Jundiaí, me explicaram tudo o que estava acontecendo e perguntaram se eu queria um irmão. Eu não sabia, exatamente, o que aquilo implicaria na minha vida, e respondi "Ah, se vocês trouxerem, tudo bem...".
Mais ou menos, um mês depois eles adotaram o Marcus, que faz parte da minha família há vinte anos.
Essa foi uma das atitudes dos meus pais que mais admiro. Criar, amar e educar um filho não é facil. Adotar um bebê já é complicado, adotar uma criança com um história de vida, outros hábitos, que passou por situações como a que ele passou, é ainda mais difícil. Acho que, além de ser um ato de muito amor, foi um ato de coragem pois, caso contrário, eles visitariam o orfanato e voltariam para casa como se nada tivesse acontecido. No entanto, eles foram além, preocuparam-se com o que aconteceria ao meu irmão caso continuasse lá, superaram obstáculos financeiros, o fato morarmos numa casa pequena, os palpites dos parentes e o preconceito de trazer um "desconhecido" para casa.
Mais do que ajudar o Marcus, eles salvaram a mim! Me salvaram de ser uma criança egoísta, de ter uma infância solitária, de não ter alguém para compartilhar as minha experiências e crescer junto comigo. Minha história teria sido completamente diferente sem meu irmão. E teria sido meio cinza, meio sem graça mas, quando dividimos sentimentos, afetos e alegrias, tudo fica mais colorido e o resultado final é a multiplicação da felicidade.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

In my life... (Desafio 1)

E até a miopia tem uma certa beleza,
é como ver o mundo em pinceladas impressionistas.


Até os seis anos de idade eu via o mundo de uma maneira bem embaçada, precisava ver tudo bem de perto para conseguir enxergar de verdade. Um dia, um senhor de cabelos grisalhos que atendia pelo palavrão “oftalmologista”, disse que eu teria que usar óculos. Então eu chorei, chorei de soluçar, porque, afinal, ninguém quer ser diferente dos outros aos seis anos de idade. 
Porém, quando experimentei os óculos e percebi que poderia enxergar muito além do que eu via, senti uma emoção bem parecida com a do Miguilim, de Guimarães Rosa. O mundo era uma grande surpresa a ser descoberta (e ainda é), cheio de lugares e pessoas diferentes, mas que também tinha muitas coisas que eu não achava legal, como fome, desigualdade social, desmatamento e por aí vai.  Coisas que na escola passaram a ser expressas em desenhos e redações.
A chegada dos óculos coincidiu com o segundo ano da pré-escola. Ao mesmo tempo em que passei a enxergar o mundo, também passei a enxergar outras pessoas além dos meus pais e familiares. Alegres, chatas, inteligentes, bravas, etc... Praticamente, cada pessoa tinha um adjetivo, um “rótulo” e a partir disso eu tinha uma ideia de quem eu poderia me aproximar mais ou menos. Via as pessoas de uma maneira superficial, não tinha ideia da complexidade do que é um ser humano, não entendia porque elas tinham comportamentos tão diferentes entre si. 
Apesar dos óculos serem um grande benefício, durante muitos anos eu me sentia bem feia com eles. Bem sabemos que as pessoas tem o (mau) hábito de olhar primeiro para a embalagem e depois para o conteúdo. Se eu não era tão bonita assim, pelo menos os óculos me ajudavam a parecer estudiosa – e tem gente que acredita nisso até hoje, mesmo sem os óculos. Na verdade, eu era bem tímida, observadora e uma criança que falava pouco, exceto com quando as pessoas conquistavam a minha amizade. Ao mesmo tempo criativa, curiosa, alegre. 

Ao longo desses anos, muitas pessoas me influenciaram positivamente. Acho as principais influências vieram dos meus pais e, posteriormente, meu irmão – que ganhei de presente aos sete anos (mas esse já é assunto para outra história). As outras influências foram alguns professores, amigos, livros, músicas, filmes (são muitas referências para citar). Particularmente, as amizades que surgiram a partir do Ensino Médio, em que os amigos deixaram de ser “aquela pessoa que passa o ano letivo sentada na carteira do lado” e tornaram-se pessoas com quem compartilho afinidades, ideais e que senti necessidade de mantê-las na minha vida, independente do caminho que eu escolhesse futuramente.
Existem outras coisas que eu chamaria de anti-influências, aquelas que você não gostaria que te influenciassem, mas, às vezes, acabam influenciando. Estar ao lado de uma pessoa que reclama o tempo todo, muitas vezes te faz agir da mesma maneira. Destaco alguns exemplos, sobretudo relacionado a ambientes de trabalho, de pessoas preconceituosas, intolerantes, egoístas, dentre outros. São algumas influências que contribuíram para que eu construísse uma imagem do que eu não gostaria de ser e procurasse me policiar o tempo todo para não reproduzi-las.
           
Após esses vinte e sete anos (agora também com lentes de contato!), o mundo continua sendo uma grande surpresa a ser descoberta, mas hoje também o vejo como algo criado por nós mesmos, afinal, somos autores da nossa própria realidade.
Vejo as pessoas de uma maneira mais profunda, tentando compreendê-las de acordo com o contexto em que estão inseridas e tentando me colocar no lugar delas, no sentido de como eu me sentiria na situação do outro. Todos tem suas qualidades e suas limitações, suas razões e seus porquês. Acredito muito nas pessoas, não no sentido ingênuo, mas no sentido de "dar crédito" até que me provem o contrário.
Sou feita de vivências, lugares e lembranças. Uma pessoa forte, batalhadora, persistente (em certa medida, até teimosa), mas, ao mesmo tempo, sensível. Tento viver plenamente, levar alegria para as pessoas que convivem comigo, ouvir suas histórias e aprender sempre. Não tenho certeza de nada, mas sigo em frente e construo meu próprio caminho, um passo de cada vez.

PS: ♪ There are places I remember all my life,though some have changed... ♫ (The Beatles).

domingo, 22 de abril de 2012

Coisas da Carmen

Algumas delicadezas para alegrar a vida.

Na porta...
Para fazer arte...
Na cabeceira da cama - especial.
E vejo flores em você!

Para organizar a bagunça.
Bons momentos e presentes!

terça-feira, 17 de abril de 2012

Amor de Verdade


Não é nenhuma novidade meu caso de amor com os Beatles e, vira e mexe, encontro coisas legais, compro livros, filmes e afins. 
Outra coisa que eu adoro são livros infantis, cheios de cor, de histórias engraçadas, de vida. 

Minhas últimas aquisições reunem esses encantamentos. São dois livros apaixonantes, lindos, que compre na Estante Virtual e o Mr.Postaman entregou aqui na semana passada: "Amor de verdade" do John e "Lá no alto das nuvens", escrito por Paul McCartney, Geoff Dunbar e Philip Ardagh, traduzido pela Ruth Rocha.
Hoje, vou falar sobre o livro do John, que traz uma série de desenhos feitos por ele e seu filho Sean. Já começou a me cativar aí, porque desenhar também é outra coisa que gosto muito, embora esteja cada vez mais difícil de me dedicar a esse prazer. 

O livro traz desenhos simples, com legendas engraçadas e uma sensibilidade incrível. Em alguns momentos, dá para imaginar como poderiam ter surgido essas criações. 
Como destaca Yoko no prefácio "foi assim que Sean aprendeu a alegria de desenhar, a graça de fazer as coisas junto com o pai e a beleza da vida".
Um excelente presente para estimular a criatividade das crianças e (por que não?) dos pais. Vale a pena conferir mais um dos lados artísticos dessa personalidade fascinante que foi o John. 

"cão - ve - flor" - que tal o jogo com as palavras??
"cachorro grande mete medo, mas nem sempre!"
Também tive a sorte de ter um pai que desenhava comigo e eu adorava quando ele fazia castelos. A minha mãe não era muito boa nisso, mas foi com ela que aprendi a desenhar minha família e também um pássaro que parecia um pouco com um avião, até hoje lembro exatamente como era. 
O desenho a seguir é meu. Feito em um guardanapo de papel, após um almoço de domingo no extinto restaurante "A Paulicéa", aqui em Jundiaí, em 1993. Aos sete anos, provavelmente, usando um laço enorme no cabelo, um conjunto de camiseta e bermudinha combinando e depois de ter comido parmegiana com fritas... rs! E os meus pais o guardaram, carinhosamente, por quase vinte anos...

"Zoológico", Carmen (1993).
PS: "Close your eyes/ Have no fear/ The monster's gone/ He's on the run and your daddy's here..." (Beautiful boy, Lennon).

sábado, 7 de abril de 2012

Mergulho


Se não for para mergulhar na vida de alguém, não me aproximo nem para molhar os pés.

PS: "Vou mergulhar no mar mesmo com a praia escura, vou gozar a liberdade de uma vida sem frescura" (Kid Abelha)

quinta-feira, 29 de março de 2012

Enquanto isso....


Nem sempre as coisas são exatamente do jeito que queremos. Eu diria que, raramente, são. 
Nem por isso significa que a vida não é boa, muito pelo contrário, as vezes, é bem melhor do que poderíamos imaginar.
Se o dia não foi bom, se o trabalho não deu certo, se seu amor não era amor, passa. Nada é eterno.
Enfiamos a cara no travesseiro, dizemos que nunca mais vamos nos apaixonar, que vamos mudar de profissão, que queremos morrer (ou matar alguém!) e, no outro dia, levantamos e vamos à luta novamente. 
Viver é isso. Somos desafiados o tempo todo a sermos fortes, a termos coragem. E vamos levando, vamos levantando, tentando outra vez. Nos enchendo de coisas que nos façam felizes, que nos ajudem a superar, que nos façam rir até do que deu errado. Fazendo diferente, colorindo aquele quadro desbotado da parede.
Aprendemos a preecher o vazio, a nos embriagar de tudo que nos sustenta. É mais ou menos como "encher a cara" para esquecer. "Encher a cara" de amigos, "encher a cara" de trabalho, "encher a cara" de amor, de arte, de sonhos. 
A vida vem e vai, "tira onda", surpreende. Sobretudo, continua.
Não há tempo para lamentarmos o que se perdeu. Pode ser que volte, pode ser que não. 
Enquanto isso? Simplesmente vivemos.

PS: "Obladi, oblada, life goes on/ La la how the life goes on..." (The Beatles).

segunda-feira, 5 de março de 2012

Vem


não demora, pode vir
enche o dia de beleza
toca uma música aí
pra dor virar delicadeza

escreve um poema pra mim
deixa embaixo da porta
se a vida não é tão direita
também não há de ser torta

mande flores, me desenha
colore minha solidão
vem viver comigo a vida
que jamais será em vão


PS: Para ouvir...
"Todo o sentimento", Chico Buarque.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Eu não sei

Essa é velha, mas está valendo...
Eu não sei fazer poesias
Pra você escrevo versos
Faço rimas, melodias
Tento te ganhar pra mim

Eu não sei fazer canções
Pra você vou até cantar
Desafino, erro a letra
É sol e dó, é mi e lá

Eu não sei nada da vida
Já não quero nem saber
Só me importa que tu saibas
Quanto eu gosto de você

Por você até que tento
Ensaio tudo, dou um jeito
Mas na hora eu desconcentro
Meu amor, só de me olhar

domingo, 8 de janeiro de 2012

Happy Birthday, King!

 77 anos de alguém que nasceu para ser eterno

Se um dia eu pudesse falar com o Elvis, se existisse uma outra vida ou qualquer coisa assim, iria agradecer muito, muito por ele ter existido, por suas músicas que fazem parte da minha "trilha sonora" e,  principalmente, por ter sido um dos motivos que me levou a conhecer pessoas mais do que especiais.




"Nunca tive aulas de canto e a única prática que tive foi com uma vassoura, antes que meu pai comprasse meu primeiro violão" (Elvis Presley).

"Quando não se está apaixonado, não se está vivo" (Elvis Presley).

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Receita de Ano Novo (Drummond)


Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens? passa telegramas?) 

Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver. 

Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.