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segunda-feira, 31 de outubro de 2011

#Drummond

Ainda que mal

Ainda que mal pergunte,
ainda que mal respondas;
ainda que mal te entenda,
ainda que mal repitas;
ainda que mal insista,
ainda que mal desculpes;
ainda que mal me exprima,
ainda que mal me julgues;
ainda que mal me mostre,
ainda que mal me vejas;
ainda que mal te encare,
ainda que mal te furtes;
ainda que mal te siga,
ainda que mal te voltes;
ainda que mal te ame,
ainda que mal o saibas;
ainda que mal te agarre,
ainda que mal te mates;
ainda assim te pergunto
e me queimando em teu seio,
me salvo e me dano: amor.

sábado, 29 de outubro de 2011

Ah, as estrelas...

"- Você sabe o que mantém as estrelas no céu, Linus? 
- Bem, não sei o certo… Tachinhas?"

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Pontuação

 
Poderíamos ser as reticências
Que se perdem entre as linhas
Nada que estivesse pronto
Qualquer coisa assim, banal

Poderíamos ser as vírgulas
Das histórias mal contadas
Dos casos que viram conto
Jamais um ponto final

sábado, 15 de outubro de 2011

Dia do Professor II - e mais importante!


Professores, parabéns pelo seu dia! 
Honro e me orgulho muito dessa profissão, principalmente pelos professores e professoras que tive e, por todos os amigos que escolheram esse caminho e que lutam pela educação.
Muito mais do que apenas comemorar essa data, devemos lutar sempre, incansavelmente, se quisermos transformar alguma coisa. Como em todas as profissões, professores também não trabalham de barriga vazia, precisam de um salário digno, precisam de boas condições de trabalho e, sobretudo, de RESPEITO. A valorização dos professores é o primeiro passo para uma educação de qualidade. Acesse e participe!


Dia do Professor I

Há mais ou menos um ano, eu estava recém-formada e prestando um concurso para ser professora. Dormi mal porque era bem no dia em que aconteceu a troca do horário de verão. Não tinha estudado porque estava preocupada com a prova de mestrado. Saí de casa, quando ainda estava escuro, ouvindo Elvis Presley, pensando porque que tinha inventado mais essa e, sem a menor pretensão de passar. Até que cheguei lá e o tema da redação era um dos meus favoritos: alfabetização. É, passei...
Hoje, eu consigo entender porque e não mudaria nada do que aconteceu nesse dia. Depois veio a surpresa, veio a convocação, veio a escola. Vieram meus amigos professores, amigos mesmo porque me deram uma grande força para começar, daí vieram os pais, as crianças, mudança de turma, novas crianças.
E a verdade é que eu não sabia muito bem o que queria e, confesso, ainda não sei, mas gostei de sentir esse gostinho de ser chamada de "Professora" ou simplesmente de "Pro". Gostei de ensinar, gostei de ver "minhas crianças" aprendendo a ler e a escrever, de ver aqueles rostinhos curiosos e ansiosos em saber o que eu tinha para ensinar. Não, não  foi fácil, como todas as paixões, quase enlouquece a gente! 
No dia que precisei ir embora, eu desmoronei. Não suportei olhar para aquelas carinhas, com os olhos cheios de lágrimas me pedindo para ficar. Me faz falta aquela rotina, aquela agitação, aquele carinho. Voltei para visitar a escola, reencontrei amigos, reencontrei as crianças, mas a saudade permanece.
Como quem já esteve do dois lados (aluno/ professor), posso dizer que é uma profissão sofrida, dolorida, que tira o sono, mas, contraditoriamente, é fantástica e apaixonante. É naquela hora, na sala de aula, ou no recreio, ensinando, conversando ou até dando uma bronca, que você percebe como pode influenciar diretamente a vida de alguém, transformar alguma coisa, fazer a diferença. 
Eu espero, com todos os meus esforços, ter feito a diferença na vida dos meus alunos, ter sido inspiradora como muitos professores foram para mim.

domingo, 9 de outubro de 2011

Lennon, inspiração...

Hoje este cara poderia estar comemorando mais um aniversário, se um estúpido não tivesse interrompido seu caminho de uma maneira tão brusca.
E, se a vida fosse muiiiiiiiiito generosa comigo, nós poderíamos passar uma tarde conversando sobre ela! rs...
De qualquer forma, obrigada, John!

Há um tempo...


Há um tempo em que é preciso deixar o barulho lá fora e voltar-se para dentro. Um tempo em que é preciso de silêncio para escutar o que seu coração pede e, você tem ignorado. Um olhar para si mesmo, além das máscaras, além da alegria comprada na padaria, além dos adornos que disfarçam nossa verdadeira essência.
Existe um momento em que precisamos compreender que algumas coisas não fazem mais sentido no nosso caminho, sentimentos que precisam ser abandonados, desejos que precisam ser repensados. Ter a sabedoria de compreender que, às vezes, o que era motivo de alegria, agora traz sofrimento e, precisa ser deixado de lado, precisa ser visto de outra maneira. Desconstruir velhos sonhos para poder sonhar de novo.
Isso dói, é difícil. Você não reconhece mais a pessoa do espelho, impregnou-se demais com os sonhos,  com o gosto e até com as dores dos outros. Tentou resolver problemas que não lhe pertenciam,  esforçou-se para  fazer feliz quem nunca se importou muito com a sua felicidade. Mas, para você, o que fez?
Eu, que não suporto uma vida mais ou menos, uma amizade mais ou menos, um envolvimento mais ou menos, um amor mais ou menos... Para mim, que sempre foi tudo ou nada, o que estou fazendo aqui, no lado morno, no lado medíocre da vida? Se nem escrever em um estado de espírito mais ou menos eu consigo!
Hoje quero me ouvir, pensar, quero me reinventar. Cansei de "gritar", cansei de entender, cansei de explicar. Do mais, entrego meu silêncio. Interprete como quiser.  

E as palavras do meu pai, empoeiradas, ressoam: "Nunca dependa de ninguém para nada, muito menos para ser feliz".

terça-feira, 4 de outubro de 2011

A Menina da Chuva

                                                                       Foto "Candelária", de Luiz Morier.                                                                                  Confira a exposição "O Rio na visão de seus fotógrafos/ O Rio que sofre"

Chuva, frio e ela imóvel. À margem da calçada, à margem dos seus sentimentos. Nenhum motivo para seguir, nenhum motivo para ficar. Tão alheia que nem sentia a água fria escorrer pelo seu corpo.
Nesse momento, nada importava. Na verdade, chovia muito mais forte dentro dela. Queria apenas que alguém trouxesse, logo, um arco-íris para iluminar a sua vida.

PS: "Bomba, avião, helicóptero/ Para ocupar território/ E deixar ao deus-dará.../ Outras tragédias não soam..." (Kid Abelha).