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terça-feira, 13 de setembro de 2011

Você consegue?

A música de John já completou 40 anos, mas ainda temos MUITO o que aprender com ela...

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Diferente, como todo mundo


Esses dias me perguntaram como consigo tratar todo mundo da mesma maneira, sem me importar com religião, opção sexual, "raça", se é deficiente, se é idoso, criança, doente ou qualquer outra situação "diferente". Eu nunca tinha pensado nisso, para mim é muito natural. 
Lembrei desse comentário semana passada, quando entrei no ônibus e sentei ao lado de um casal de meninas. As duas de mãos dadas, se beijando e eu pensei "Poxa vida, o amor delas é tão bonito, tão sincero quanto o que uma mulher pode sentir por um homem ou um homem pode sentir por outro. Tão amor quanto o que eu sou capaz de sentir. Por que discriminar?".
Algums situações da minha vida, como minhas escolhas, de não fazer o que todo mundo fazia, quando fazia, de não me sentir na obrigação de ser igual, de ser até criticada por isso, foram me encaminhando para uma reflexão sobre preconceito, mas três fatores foram bastante significativos. 
O primeiro foi a educação que recebi dos meus pais, que me ensinaram a nunca me achar melhor do que ninguém. E nem pior. Me ensinaram que ter ou não um tênis de marca não me faria conquistar o respeito dos outros. Eu não tive tênis de marca, casa bonita, não tinha rádio que tocava cd, mas sempre tive a certeza de que gostavam de mim pelo que eu era. Nenhum "bem material" me fez sentir mais ou menos importante do que alguém. Me ensinaram também que as pessoas são diferentes por natureza e que preciso respeitar os outros e suas escolhas. Se não sou melhor do que ninguém, como posso me sentir no direito de julgar o outro?
Em segundo lugar, aprendi com minhas próprias "deficiências" - meus óculos e a minha magreza - criança sofre (mal sabia eu que um dia magreza viraria moda)! Se eu não gostava que me chamassem de "quatro olhos" porque cargas d'água eu deveria falar dos outros? Não enxergar bem me faz ter uma deficiência visual - e daí? Se olharmos de perto, todos tem alguma deficiência. E o problema não é não ter o braço, não falar, não ouvir. Deficiência grave é falta de respeito, falta de amor.
O terceiro, foi uma lição dada pela vida mesmo. Todo mundo pode se considerar "perfeito" hoje, mas e amanhã? E se eu sofrer um acidente, se meu rosto não for mais o mesmo, se eu não andar mais? As pessoas deixariam de me respeitar ou de gostar de mim por isso? Deixo de ser a pessoa que sou? Essa reflexão veio de uma situação que vivi com meus pais anos atrás, que me fez crescer muito.
Enquanto eu pensava tudo isso, uma mulher entrou com uma criança cadeirante no ônibus. Má vontade do motorista em ajudá-la, as pessoas no ônibus meio curiosas, meio com receio, a dificuldade com o próprio manuseio da cadeira. E ela lá, firme, a criança rindo. Me emocionei. Me vi naquela mulher, por todas as vezes que saio com meu pai, cadeirante, lindo (e saio mesmo, sem vergonha, sem medo e brigo se alguém disser alguma besteira), e o quanto é difícil as pessoas encararem essas situações com naturalidade. 
As pessoas não são feitas em linha de montagem, todas idênticas. E a graça do mundo é a diferença. O mínimo que podemos oferecer a alguém é o nosso respeito, acima de tudo e, não agirmos como inquisidores da vida alheia. É sempre bom ter muito cuidado com isso. Ainda assim, temos o péssimo hábito de formar uma opinião sobre alguém sem conhecermos. Não existe segredo, não é nada difícil. Acho que, no fundo é isso: coloque-se no lugar do outro e seja com ele como gostaria de que ele fosse com você. 

PS: "'Deficiente' é aquele que não consegue modificar sua vida, aceitando as imposições de outras pessoas ou da sociedade em que vive, sem ter consciência de que é dono do seu destino." (Mário Quintana).