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domingo, 27 de fevereiro de 2011

FELIZidade


Às vezes acho que nasci com alguns anos de atraso. Outrora, tendo em vista a possibilidade de "transitar " por outras épocas, acabo achando que não. Gosto de filmes que a maioria das pessoas da minha idade não gostam, de músicas que a maioria delas também não gosta e tenho aprendido a transitar entre as diversas faixas etárias e a deixar de lado um pouco aquele formato engessado de que temos que conviver apenas com pessoas da nossa idade e, pior, acreditar que apenas elas são interessantes.
Gosto do diferente, das descobertas, das boas conversas. Gosto de ouvir o que os outros tem a dizer, muitas vezes ensinar. Gosto de conversar com as pessoas de 20, 40, 60, 80 anos... sem preconceitos, sem frescuras, sem achar que estou perdendo meu tempo. Todo tempo é precioso quando podemos aprender com alguém, quando podemos compartilhar ideias, felicidades e bons momentos.
Talvez seja por esse motivos que gosto tanto de artes, de música e literatura. Tudo o que é capaz de eternizar um momento e torná-lo atemporal, encantando pessoas de todas as idades e tornando-se algo comum entre elas.
Quero viver a diversidade, as diferenças e o que há de mais belo em cada fase da vida. Não sou a minha idade, nem tenho que gostar apenas das coisas que surgiram a partir da década em que nasci. Vivo em um mundo em movimento, em que as tendências e as pessoas vêm e vão. Um mundo onde já tinha acontecido muita coisa antes que eu chegasse e que, nada me impede de conhecê-las. 
Posso viver os meus  vinte e cinco, voltar para os quinze - se puder e, ir para os trinta e cinco - se precisar. Posso conversar como uma criança como se ela fosse "gente grande" e com uma pessoa mais velha como se fosse uma criança... Não gosto de agregar idade as pessoas e coisas, o que eu gosto mesmo é de agregar a  FELIZidade que elas transmitem.

PS: "Deixe que o beijo dure/ Deixe que o tempo cure/ Deixe que a alma/ Tenha a mesma idade/ Que a idade do céu..." (Paulinho Moska).

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Twittaço pela #culturajundiai

Pessoal, vai rolar um twittaço no dia 28/02, a partir das 20h. Para participar, basta divulgar em seu twitter mensagens com a hashtag #culturajundiai. Vamos fortalecer essa luta em prol da valorização e da construção da cultura jundiaiense. A participação de todos é muito importante!
Segue o texto de divulgação, publicado em http://votoconscientejundiai.com.br.

A #culturajundiai acaba de marcar um Twittaço! É como um panelaço online e fazemos isso pela crença de que temos que construir a relevância da questão cultural na cidade. Apenas quando a maioria dos jundiaienses se preocupar com cultura é que governos, empresas e ONGs vão trabalhar com toda sua energia! A secretaria de Cultura investiu R$ 60 mil reais durante todo o ano de 2009. É muitomuitomuito pouco, quase nada para o que precisamos e queremos!

Veja abaixo como participar!!

Twittaço promete agitar a #culturajundiai

No dia 28/02, a partir das 20 horas, poste mensagens em seu twitter com a hashtag #culturajundiai.
Deixamos algumas sugestões de frases para inspirar!!
  1. “A gente quer comida, diversão e arte!” – Todos pela Cultura de Jundiaí! (acesse e apoie) http://tinyurl.com/culturajundiai
  2. Jundiaí não tem muitos eventos culturais, nós não ficamos sabendo, ou as 2 coisas?! (acesse e apoie) http://tinyurl.com/culturajundiai
  3. O que estamos fazendo pela cultura de Jundiaí? Chega de ficar parado! (acesse e apoie) http://tinyurl.com/culturajundiai
  4. Twittar sem APOIAR é meia boca! Queremos mais! (acesse e apoie) http://tinyurl.com/culturajundiai
  5. Quem consegue fazer ou defender a cultura sentado no sofá? Levante-se! (acesse e apoie) http://tinyurl.com/culturajundiai
  6. Em 2010, a prefeitura de Jundiaí dedicou só $60mil pra cultura! Até quando será assim? (acesse e apoie) http://tinyurl.com/culturajundiai
*Agradecemos ao Voto Consciente Jundiaí por emprestar esse espaço para colocarmos nossas frases e textos. O cartazete cheio de estilo vem de Carol Merlo, mais uma prova do que a #culturajundiai faz!!

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Frases de Caio Fernando de Abreu

Selecionei algumas das minhas frases preferidas do Caio Fernando de Abreu para postar aqui. Algumas que se encaixam perfeitamente em alguns momentos da minha vida, outras que eu gostaria de dizer para algumas pessoas...

"Eu quis tanto ser a tua paz, quis tanto que você fosse o meu encontro. Quis tanto dar, tanto receber. Quis precisar, sem exigências. E sem solicitações, aceitar o que me era dado. Sem ir além, compreende? Não queria pedir mais do que você tinha, assim como eu não daria mais do que dispunha, por limitação humana. Mas o que tinha, era seu. "

"No fim destes dias encontrar você que me sorri, que me abre os braços, que me abençoa e passa a mão na minha cara marcada, na minha cabeça confusa, que me olha no olho e me permite mergulhar no fundo quente da curva do teu ombro. Mergulho no cheiro que não defino, você me embala dentro dos seus braços e você me beija e você me aperta e você me aquieta repetindo que está tudo bem, tudo, tudo bem."

"Tenho um amor fresco e com gosto de chuva e raios e urgências. Tenho um amor que me veio pronto, assim, água que caiu de repente, nuvem que não passa, me escorrem desejos pelo rosto pelo corpo. Um amor susto. Um amor raio trovão fazendo barulho. Me bagunça. E chove em mim todos os dias."

"(...) eu tenho uma porção de coisas pra te dizer, dessas coisas assim que não se dizem costumeiramente, sabe, dessas coisas tão difíceis de serem ditas que geralmente ficam caladas, porque nunca se sabe nem como serão ditas nem como serão ouvidas, compreende?”

"Penso em você principalmente como a minha possibilidade de paz — a única que pintou até agora, 'nesta minha vida de retinas fatigadas'. E te espero. E te curto todos os dias. E te gosto. Muito."

"Que coisas são essas que me dizes sem dizer, escondidas atrás do que realmente quer dizer? Tenho me confundido na tentativa de te decifrar, todos os dias. Mas confuso, perdido, sozinho, minha única certeza é que de cada vez aumenta ainda mais minha necessidade de ti. Torna-se desesperada, urgente. Eu já não sei o que faço. Não sinto nenhuma alegria além de ti. Como pude cair assim nesse fundo poço? Quando foi que me desequilibrei? Não quero me afogar: Quero beber tua água. Não te negues, minha sede é clara."

"Mesmo sem compreender, quero continuar aqui onde está constantemente amanhecendo."

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Feliz da vida!


Nada como poder sonhar acordado e transformar esses sonhos em realidade.
Ano novo, projetos novos! Desafios e muiiiito trabalho, mas que estão me fazendo muito feliz.
Do passado, só estou guardando o que foi bom. Na minha vida só quero coisas boas, tranquilidade, alegrias, paz, bons amigos e muito amor. Pessoas agradáveis, doces lembranças e sentimentos valiosos irão comigo onde eu for... sempre!

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Tarde de verão


– Lívia, preciso falar com você.
– Ah não... Isso é hora de ligar para alguém em um domingo? – respondeu Lívia bocejando e espreguiçando-se na cama.
– Mas são quase duas horas da tarde! – indignava-se a voz do outro lado da linha.
– E daí? Eu nem acordei direito, como você é chato! Tchau.
– Lívia, por favor... É sério!
– É sério mesmo, estou falando muito sério. – e bateu o telefone no gancho.
Após virar-se para o outro lado da cama, puxando o edredom que estava quase no chão e colocando-o na face para esconder-se dos raios de sol que atravessavam a cortina da janela de vidro, ouviu o telefone tocar novamente.
– Não é possível! – disse colocando o travesseiro sobre os cabelos desgrenhados e pegando o telefone. – Alô! Eu já disse que não vou falar com você agora!
– Lívia, você pensa que está falando com quem?
– Aham... Desculpe Leonardo. Bom dia, tudo bem? – disse tentando recuperar a voz rouca.
– Boa tarde! Estava na esbórnia, não é?
– Se trabalho chama-se esbórnia agora, pode-se dizer que sim.
– Brincadeira... Estou ligando para te avisar que teremos reunião amanhã às sete horas.
– Notícia boa, heim!
– É a labuta, sócia. Mas e aí, quem te ligou que você já estava estressada?
– Humpf! Nada de mais.
– Garanto que foi o Alessandro. Aposto que ele levou algum “olé” e lembrou–se de você.
– Nem sei, desliguei o telefone.
– Escreve o que estou te dizendo sócia, já falei que se você quiser essa história acaba...
– Hahaha... Ok Léo. Amanhã a gente se fala. Beijo, tchau!
– Tchau!
Leonardo trabalhava no mesmo departamento de Lívia na redação do jornal, pensavam em criar uma revista, por isso a chamava de sócia. Alguns amigos diziam que não a chamava assim só por causa da revista, mas que também queria ser seu sócio na vida pessoal. Era evidente, às vezes lançava mão de algumas investidas despretensiosas para conquistá-la, mas ela fazia-se de desentendida.
Lívia levantou-se da cama, ainda sonolenta e calçou os chinelos. Tinha ficado até de madrugada em frente ao computador terminando uma matéria para o jornal sobre a reinauguração do teatro municipal. Ela não gostava de levar trabalho para casa, mas como lhe pediram a matéria na tarde de sexta-feira, não teve outro jeito. Revoltava-se ao pensar que, sutilmente, a exploração capitalista manifesta-se em suas relações de trabalho, pois, quase sem perceber, continuava presa às tarefas laborais após o expediente, sacrificando ainda mais os pequenos momentos de descanso. Já não tinha hora certa para dormir, para acordar e nem para fazer as refeições. Antes mesmo que lavasse o rosto, o interfone tocou e ela foi até a sala para atender.
– Lívia, sou eu. Preciso falar com você.
– Ah, meu Deus! O que eu fiz para merecer? – disse, lembrando-se das palavras de Leonardo.
– Por favor, só hoje.
– Sobe, vai.
Alessandro trabalhava no mesmo jornal que Lívia, era fotógrafo há bastante tempo e estava sempre viajando, fotografava desde desfiles de moda às guerras no Iraque. Enquanto entrava no elevador para ir ao apartamento de Lívia, ele pensava no que ela havia lhe falado sobre Sonia há pouco mais de um ano “Essa história não vai dar certo, estou avisando”. De nada adiantou o conselho da amiga, Alessandro achava que era apenas um ciúme bobo de Lívia e resolveu morar com Sonia, uma ex-modelo deslumbrante no auge de seus vinte anos que conheceu em Milão, mesmo sabendo que era uma moça leviana e impulsiva, que mais cedo ou mais tarde mudaria de ideia como quem troca de roupa. E mudou. Mas o que poderia fazer? Quando conheceu Sonia, sentiu-se embriagado por sua beleza e juventude. Para ele, que já havia passado dos trinta anos e não era mais um garoto, estar ao lado de Sonia fazia bem para seu ego, mas não lhe trazia paz. Agora ele estava dentro do elevador com uma mochila nas costas, a mala nas mãos e ao lado do seu cão labrador, sem casa e sem ninguém, prestes a se despedir de uma velha amiga. Dentro de algumas horas estaria na França para fotografar a exposição de um pintor famoso.
Lívia lavou o rosto e escovou os dentes tentando descobrir porque Alessandro tinha tanta urgência em falar com ela. Ligou o rádio, vestiu-se com um vestido florido, como sugeria aquela tarde de verão e prendeu os cabelos castanhos com displicência, quando ouviu duas batidas na porta e um latido. Quando ela abriu a porta, Fred pulou em suas pernas e, antes mesmo de pedir para que Alessandro entrasse em seu apartamento, ela agachou e pôs-se a abraçar o cachorro como se fosse uma criança.
– Que delícia de cachorro! Que bom te ver, cara... – nesse momento lembrou-se que Alessandro estava parado em sua porta, levantou os olhos e disse – Entre.
Só então percebeu que alguma coisa estava errada. Alessandro, as malas, o cachorro. Sentou-se no sofá e disse:
– Por que tanta pressa? Vai tirar o pai da forca?
– Não tem graça, Lívia! Você sabe o que aconteceu. – disse apontado para as malas e para o cão.
– Não, não sei. E não estou entendendo.
– Bom, então vou falar com todas as letras. Sonia terminou comigo há dois meses, surtou e disse que era para eu sair do apartamento.
– Jura? – dizia com ar de deboche.
– Não finja que está surpresa, você falou isso desde o começo. Eu, idiota, não quis escutar.
– Ah, agora estamos falando a mesma língua. Concordou comigo ao menos em uma coisa. Eu te avisei e quem avisa...
– Eu sei, mas o que posso fazer?! Aconteceu.
– E porque está aqui, com mala e cachorro?
– Passei para me despedir, daqui a pouco viajo para a França, vou cobrir uma exposição de artes. Passei um tempo dividindo um apartamento com um amigo.
– E o seu apartamento?
– Vendi, sempre achamos que essas coisas durarão para sempre...
– Hum... Entendi. Seu “para sempre” veio com prazo de validade, não é?
– Não tem graça. Achei que daria tudo certo.
– Mas qual foi o surto da moça “à milanesa”? – perguntou Lívia referindo-se à Sonia.
– Sei lá! Você acha mesmo que eu consigo entender?
– Você tem alguns defeitos, mas nada muito grave. Tudo bem que não sabe a diferença entre um escarpim e uma sapatilha, não distingue um terno de um smoking, vai à padaria de bermuda e chinelo... – disse enumerando os defeitos nos dedos das mãos e contendo o riso. – Vai saber se esses detalhes não a incomodavam.
– Engraçada.
– Ah! E daí que você não sabe o sentido dos ponteiros do relógio? Isso não tem nada a ver... – dizia rindo da situação de Alessandro.
– Eu sei o sentido dos ponteiros do relógio sim!
– Não precisa mentir pra mim vai, te conheço faz tempo. – disse em tom de brincadeira, tocando a palma da mão direita de Alessandro.
– E sei a diferença entre muitas coisas, inclusive entre você e Sonia. – disse fechando as mãos de Lívia. – Sei também que esta é sua música predileta “Ela vem sempre tem  esse mar no olhar...” – referindo-se à canção que tocava no rádio.
Alessandro levantou-a pelas mãos, passou os braços em torno de seu corpo e conduziu-a junto a peito, embalando-a no ritmo da música, encostando seu rosto no de Lívia. Ele sabia que ela era seu porto seguro, que estaria lá para quando precisasse. Não sabia definir o que sentia por Lívia, mas queria acreditar que ela estaria sempre pronta para recebê-lo embora não acreditasse que pudesse tê-la por toda vida. Dançaram lentamente, ele sabia como conquistá-la. Queria reencontrá-la a cada volta ou antes de cada viagem, até o dia em que se aquietaria ao seu lado.
As mãos de Alessandro deslizavam pelas costas de Lívia, que sentia um arrepio na espinha. Um dia ela até pensou em um futuro ao lado dele, talvez experimentar o sentimento estável de compartilharem suas vidas, mas temia não cativá-lo da forma como desejava. Para Lívia, Alessandro foi feito para o mundo e tê-lo ao seu lado seria como prender um pássaro numa gaiola e impedí-lo de voar, nisso não via beleza. Nesse momento, o rapaz ergueu o queixo de Lívia e beijou-o levemente. Lívia riu, sabia que aquilo era apenas uma brincadeira, um pequeno deleite em uma tarde de verão. O cachorro permanecia deitado no tapete, a observar a cena como se assistisse a um filme.
A paz que Alessandro encontrava nos braços de Lívia era o que mais gostava. A paz presente no retorno, no reencontro. Isso se perderia caso permanecessem juntos. Será? Não sabia. Finalmente a música acabou e, como se despertasse de um sonho, o rapaz lembrou-se que deveria estar no aeroporto dentro de trinta minutos. Lívia o acompanhou até a porta e afagou o cachorro.
– Boa viagem, correspondente do Brasil na França!
– Obrigado. Passo aqui quando voltar.
– Fique esperto, o prazo de validade deste “para sempre” também pode acabar. – disse Lívia erguendo-se nas pontas dos pés, beijando-lhe a testa e fechando a porta.
Alessandro ficou olhando para a porta, desconcertado. Ele achou que deixaria alguém à sua espera, mas dessa vez não tinha tanta certeza. Lívia foi para o terraço, sentou-se na espreguiçadeira e ficou observando o mar, desfrutando o calor daquela tarde e ouvindo aquele sentimento mal resolvido marulhar dentro de si.

[1] Trecho da canção “Samba de verão”, de Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle.