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sexta-feira, 16 de julho de 2010

Incompletudes


Como posso desejar ser menos passional, mais calculista, ignorar o outro - se é justamente ao outro que devo minha existência? Como posso me livrar dos meus próprios defeitos, de minhas manias, até mesmo dos meus cinco minutos de raiva?

Não posso desejar ser de outra forma, não posso me abster dos meus desejos, das minhas vontades, dos meus vícios e das minhas incompreensões. Não posso me livrar desse tormento de ser a principal responsável pelas minhas escolhas. Nem tão pouco ignorar essas vozes dentro dos meus ouvidos, me instigando a pensar, a questionar, a mudar de ideia o tempo todo.

Os meus pensamentos, as minhas meias-verdades, os meus gestos, as minhas dúvidas, meu (bom/ mau) humor, minhas virtudes, meus defeitos, minhas palavras, meus sentimentos, minhas mentiras, meus (des) amores, minhas ilusões, meus ideais... Sim, são eles que me fazem ser o que sou, com todas as minhas contradições e incompletudes. Esse imenso quebra-cabeça em que as peças nunca se encaixam porque estão sempre se transformando.

Sei que não é fácil permanecer nesse barco nos momentos de tormenta, mais difícil ainda é saber exatamente o que se passa em seu interior. Às vezes sinto vontade de calar meus pensamentos, mas, contraditoriamente são estes mesmos pensamentos que ajustam as velas e não me deixam naufragar. E então, quando a tempestade cessa e o mar se tranquiliza, é extremamente agradável desfrutar dos momentos de calmaria, sentindo os ventos serenos em minha face e o sol iluminando a minha alma.

Talvez esse “navegar em mares desconhecidos”, entre misturas de bem e mal, certo e errado, sim e não... Esse “andar na corda bamba”, aprendendo a equilibrar-se para não cair... É o que nos faz humano, é a grande aventura que é viver.


PS: "Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro." (Clarice Lispector)

"Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é..." (Música "Dom de Iludir", de Caetano Veloso)

domingo, 11 de julho de 2010

Gosto de você

"The kiss" - Matthew Alan

Gosto de você de um jeito que não existe
Além da saudade que encerra em meu peito
Muito mais do que os ternos momentos
Bem maior que a despedida triste

Gosto de você de um jeito que não se vê
Não se toca, apenas sente
Que irradia de meus olhos
Quando está em minha frente

Gosto de você de um jeito que é só seu
Não tem tempo e nem espaço
Sentimento tão imenso
Mas que cabe em um abraço

(28/02/2010)

PS:
"Se cada dia cai, dentro de cada noite,
há um poço
onde a claridade está presa.

há que sentar-se na beira
do poço da sombra
e pescar luz caída
com paciência."

(Pablo Neruda)

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Intensidade

Monet


Vou além dos meus limites

Não abandono meus sonhos

Apaixono-me por minhas causas

Luto por meus ideais

Rio e choro com a mesma intensidade

Amo com todas as minhas forças

Não domino meus pensamentos

Esses correm soltos, ligeiros

Às vezes prefiro o silêncio

E quando me faltarem as palavras

Olhe dentro dos meus olhos

Eles lhe dirão sempre a verdade.


(17/01/2009)


PS: "O problema é que quero muitas coisas simples, então pareço exigente" (Fernanda Young).